Cuidado com os custos do hotel

Quais são os custos do hotel a serem incorridos para gerenciar uma instalação?

Note-se, em primeiro lugar, que existem diferenças radicais entre o controlo de custos efectuado num hotel próprio e num hotel alugado.

No primeiro caso, por exemplo, embora mantendo o custo da mão de obra uma importância absoluta nas avaliações, será necessário levar em conta a taxa de depreciação do custo de aquisição do imobilizado, bem como eventuais encargos financeiros decorrentes tendo contratado um empréstimo para a aquisição. Esta circunstância identificará um nível de custos fixos em média muito elevado e difícil de comprimir (especialmente se o hotel foi adquirido, como tem acontecido frequentemente nos últimos anos, com um sobreinvestimento acompanhado de sobreendividamento), bem como uma necessidade financeira constante ligada à renovação do capital fixo.

No segundo caso, novamente independentemente do custo da obra, a renda terá um lugar central com uma avaliação preventiva relativa à sua adequação e sustentabilidade que aqui não pode ser feita. Todas as outras avaliações serão quase secundárias e, sobretudo, os encargos financeiros não deverão encontrar lugar, uma vez que o capital inicial investido é muito mais modesto.

A natureza dos custos hoteleiros: fixos e variáveis

É bastante intuitivo descrever o hotel como uma realidade caracterizada pela prevalência dos custos fixos sobre os variáveis ​​por se tratar de uma empresa de serviços e não de produção, que por isso presta um serviço para o qual é necessário um suporte de custos fixos independentemente das receitas. que será obtido.

Custos variáveis

Os custos variáveis ​​são modulados em função da quantidade de serviço produzido e representam uma parcela minoritária face ao total: dirão respeito aos materiais de limpeza, linha de cortesia, roupa de cama e lavandaria no caso dos quartos, enquanto no caso da restauração serão substancialmente atribuível ao custo médio da refeição.

Custos fixos

Os custos fixos, por outro lado, não variam em função da quantidade de serviço produzido, pelo menos no curto prazo. Pensemos em particular, para além dos referidos custos de amortização do capital investido e de rendas, os de publicidade, de pessoal (substancialmente fixos, ainda que exista uma componente semivariável), de wi-fi, de energia e de web marketing. Este último, em particular, é fundamental em relação ao controlo de gestão, pois permite à empresa decidir da melhor forma o preço mínimo de venda que possa cobrir os custos variáveis ​​e fixos (ponto de equilíbrio), a margem alvo para vendas através de OTAs e, consequentemente, as comissões relacionadas. Entende-se então que as decisões relativas ao marketing têm forte impacto na gestão da estadia e devem ser geridas com coerência e sinergia.

Por último, os encargos financeiros também são custos fixos, especialmente os juros hipotecários, enquanto os decorrentes de linhas de crédito de curto prazo deveriam estar ausentes ou quase ausentes. Em nenhum caso será aceitável considerá-los como custos variáveis, uma vez que o seu montante não depende do volume de negócios realizado, mas sim das dispendiosas fontes de financiamento externo utilizadas (tipicamente instituições de crédito).

Numa percepção errada e enganosa, os custos fixos representam uma espécie de “maldição divina” que só pode ser remediada com “flexibilidade”, ou seja, com a transformação da maior parte dos próprios custos de fixos em variáveis. O resultado resulta em produtos estritamente fabricados em Itália em papel, mas fabricados noutro local, com consequências por vezes graves na qualidade do próprio produto e na percepção do consumidor. Mesmo ignorando o facto de se perder o controlo da cadeia produtiva, no caso do hotel surgem incertezas relativamente à qualidade percebida pelo cliente, como no caso em que o catering é gerido diretamente ou não.

Controle de custos hoteleiros com base na qualidade do serviço

A primeira consequência do que foi dito é que os custos fixos não podem ser controlados senão de acordo com o seu nível previamente decidido e que depende da qualidade do serviço que se pretende oferecer: os custos fixos do hotel, de facto, não podem ser recuperados com certeza , uma vez que o seu apoio é independente do volume de negócios que efetivamente será obtido. Estes, no entanto, especialmente os directos, devem ser correctamente atribuídos ex ante e cuidadosamente controlados ex post: os custos com pessoal, bem como com vestuário e ferramentas de trabalho, depreciação de mobiliário e electricidade, devem ser calculados correctamente para determinar o custo do quarto, dividindo-os respetivamente em função dos minutos necessários para cada quarto (o pessoal), dos dias de abertura, assumindo o consumo anual (o vestuário de trabalho), dos dias de utilização (a depreciação do mobiliário) e dos dias/m2 (eletricidade).

conclusões

Por último, convém recordar que não existe um parâmetro de referência preferível a outros para a imputação dos custos fixos indiretos relativos aos quartos (tipicamente manutenção, custos administrativos e despesas gerais). Deve, portanto, ser adoptado um critério que se enquadre na lógica subjacente ao controlo de gestão, ou seja, que seja economicamente plausível e utilizável sem forçar. A informação excessivamente cara face ao valor que representa ou que não é necessária é, na verdade, exactamente o oposto da lógica do controlo de gestão.